Prémio Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias - 2018
Seja o "eco" da SPECO
© Pedro Pinho
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© Paula Gonçalves
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Iniciativas

Seja o "eco" da SPECO

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Quem procuramos?

Procuramos sócios jovens, entusiastas, que queiram actuar como membro “eco” da SPECO. A sua função será a de promover activamente a SPECO na sua área geográfica, local de trabalho, instituição, de forma a recrutar mais sócios e aumentar a nossa comunidade e a nossa visibilidade.

 

O que precisa de fazer?

Junte-se a nós no dia 18 de Maio para um dia de convívio e de formação.

Dê a conhecer a SPECO e as suas atividades e divulgue os benefícios de ser sócio.

Promova a adesão de, pelo menos, um novo sócio e reporte-nos como isso aconteceu.

 

O que ganha com isto?

Passa a estar isento do pagamento de quotas.

Terá acesso a materiais de promoção.

Terá condições privilegiadas de acesso a formações, conferências científicas e outras actividades.

 

Como se pode candidatar?

Envie o seu CV, uma curta carta de motivação, e uma ideia de como angariar mais sócios para Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Prazo de candidatura: 20 de Fevereiro 2018.

Prémio de Doutoramento em Ecologia Fundação Amadeu Dias 2018

Prémio Doutoramento em Ecologia 2018

 

Em 2018, a SPECO continua a iniciativa, lançada pela primeira vez em 2017, de oferecer um prémio para recém doutorados, como forma de valorizar o trabalho desenvolvido ao longo do seu programa doutoral. Este prémio só é possível devido à generosidade de uma Fundação privada, a Fundação Amadeu Dias, desperta para os desafios do interesse público que, numa feliz convergência de função social e de lucidez, foi possível encaminhar para satisfazer um sonho de há muito.

Esta é, pois, uma maneira de valorizar o trabalho dos nosso jovens doutores, através de um programa posto a concurso, que será escrutinado por um júri idóneo que, com criteriosa seriedade, avaliará as propostas submetidas. Os jovens doutorados terão de ser sócios da SPECO e terão à sua disposição um regulamento exigente, mas transparente, que pretende funcionar como incentivo à investigação ecológica. Este ano serão atribuídos três prémios monetários, no valor de 2500€, 1500€ e 1000€, respectivamente aos primeiro, segundo e terceiro classificados.

À semelhança do ano passado, este prémio é o resultado de um fundo de recursos adicionais, colocado à disposição de quem do mérito der provas, para que possa valorizar o esforço desenvolvido durante o seu trabalho de doutoramento. Representa, acima de tudo, um exemplo de parceria empenhada num exercício consistente de desenvolvimento científico e social, graças ao atento patrocínio da Fundação Amadeu Dias. São pequenos passos como estes que são significativos e que temos de agradecer, para que esta iniciativa se continue a afirmar, robustecer e amadurecer.

 

            A Direcção da SPECO

Professora Maria Amélia Martins-Loução

(Presidente)

 

Período de candidatura: 1 de Março de 2018 a 30 de Junho de 2018

Consulte o regulamento aqui!

Dos cientistas para o Parlamento Europeu: a carta aberta acerca da biomassa florestal

Burning wood

A SPECO tornou-se uma das entidades signatárias da carta aberta aos membros do Parlamento Europeu que visa suportar a revisão da Directiva relativa à produção de energias renováveis, tendo por objectivo evitar que sejam perdidos recursos florestais exclusivamente para essa finalidade.

 

"To Members of the European Parliament,


As the European Parliament commendably moves to expand the renewable energy directive, we strongly urge members of Parliament to amend the present directive to avoid expansive harm to the world’s forests and the acceleration of climate change. The flaw in the directive lies in provisions that would let countries, power plants and factories claim credit toward renewable energy targets for deliberately cutting down trees to burn them for energy. The solution should be to restrict the forest biomass eligible under the directive to residues and wastes.


For decades, European producers of paper and timber products have generated electricity and heat as beneficial by-products using wood wastes and limited forest residues. Since most of these waste materials would decompose and release carbon dioxide within a few years, using them to displace fossil fuels can reduce net carbon dioxide emissions to the atmosphere in a few years as well. By contrast, cutting down trees for bioenergy releases carbon that would otherwise stay locked up in forests, and diverting wood otherwise used for wood products will cause more cutting elsewhere to replace them.


Even if forests are allowed to regrow, using wood deliberately harvested for burning will increase carbon in the atmosphere and warming for decades to centuries – as many studies have shown – even when wood replaces coal, oil or natural gas. The reasons are fundamental and occur regardless of whether forest management is “sustainable.” Burning wood is inefficient and therefore emits far more carbon than burning fossil fuels for each kilowatt hour of electricity produced. Harvesting wood also properly leaves some biomass behind to protect soils, such as roots and small branches, which decompose and emit carbon. The result is a large “carbon debt.” Re-growing trees and displacement of fossil fuels may eventually pay off this “carbon debt’ but only over long periods. Overall, allowing the harvest and burning of wood under the directive will transform large reductions otherwise achieved through solar and wind into large increases in carbon in the atmosphere by 2050.


Time matters. Placing an additional carbon load in the atmosphere for decades means permanent damages due to more rapid melting of glaciers and thawing of permafrost, and more packing of heat and acidity into the world’s oceans. At a critical moment when countries need to be “buying time” against climate change, this approach amounts to “selling” the world’s limited time to combat it.


The adverse implications not just for carbon but for global forests and biodiversity are also large. More than 100% of Europe’s annual harvest of wood would be needed to supply just one third of the expanded renewable energy directive. Because demand for wood and paper will remain, the result will be increased degradation of forests around the world. The example Europe would set for other countries would be even more dangerous. Europe has been properly encouraging countries such as Indonesia and Brazil to protect their forests, but the message of this directive is “cut your forests so long as someone burns them for energy.” Once countries invest in such efforts, fixing the error may become impossible. If the world moves to supply just an additional 3% of global energy with wood, it must double its commercial cuttings of the world’s forests.

By 1850, the use of wood for bioenergy helped drive the near deforestation of western Europe even when Europeans consumed far less energy than they do today. Although coal helped to save the forests of Europe, the solution to replacing coal is not to go back to burning forests, but instead to replace fossil fuels with low carbon sources, such as solar and wind. We urge European legislators to amend the present directive to restrict eligible forest biomass to appropriately defined residues and wastes because the fates of much of the world’s forests and the climate are literally at stake."


Initial signatories:
𝗝𝗼𝗵𝗻 𝗕𝗲𝗱𝗱𝗶𝗻𝗴𝘁𝗼𝗻, Professor, Oxford Martin School, former Chief Scientist to the government of the United Kingdom
𝗦𝘁𝗲𝘃𝗲𝗻 𝗕𝗲𝗿𝗿𝘆, Professor, Yale University, former Chairman, Department of Economics, fellow American Academy of Arts and Sciences, winner of the Frisch Medal of the Econometric Society.
𝗞𝗲𝗻 𝗖𝗮𝗹𝗱𝗲𝗶𝗿𝗮, Professor, Stanford University and Carnegie Institution for Science, Coordinating lead author or lead author of multiple IPCC reports.
𝗪𝗼𝗹𝗳𝗴𝗮𝗻𝗴 𝗖𝗿𝗮𝗺𝗲𝗿, Research Director, CNRS, Mediterranean Institute of marine and terrestrial Biodiversity and Ecology, Aix-en-Provence, member Académie d'Agriculture de France, Coordinating lead author and lead author of multiple IPCC reports,
𝗙𝗲𝗹𝗶𝘅 𝗖𝗿𝗲𝘂𝘁𝘇𝗶𝗴, Chair Sustainability Economics of Human Settlement at Technische Universität Berlin, Leader, leader Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change, Lead author of IPCC V Assessment Report and coordinator of appendix on bioenergy.
𝗣𝗵𝗶𝗹 𝗗𝘂𝗳𝗳𝘆, President, Woods Hole Research Center, former Senior Advisor White Office of Science and Technology Policy, Contributing author of multiple IPCC reports
𝗗𝗮𝗻 𝗞𝗮𝗺𝗺𝗲𝗻, Professor University of California at Berkeley, Director Renewable and Appropriate Energy Laboratory, Coordinating lead author or lead author of multiple IPCC reports.
𝗘𝗿𝗶𝗰 𝗟𝗮𝗺𝗯𝗶𝗻, Professor Université catholique de Louvain and Stanford University, member European and U.S. Academies of Science, 2014 laureate of Volvo Environment Prize
𝗦𝗶𝗺𝗼𝗻 𝗟𝗲𝘃𝗶𝗻, Professor Princeton University, Recipient, U.S. National Medal of Science, member U.S. National Academy of Sciences
𝗪𝗼𝗹𝗳𝗴𝗮𝗻𝗴 𝗟𝘂𝗰𝗵𝘁, Professor Humboldt University and Co-Chair of Potsdam Institute for Climate Research, lead author of multiple IPCC reports
𝗚𝗲𝗼𝗿𝗴𝗶𝗻𝗮 𝗠𝗮𝗰𝗲 𝗙𝗥𝗦, Professor, University College London, Lead author IPCC report and Winner International Cosmos Prize
𝗪𝗶𝗹𝗹𝗶𝗮𝗺 𝗠𝗼𝗼𝗺𝗮𝘄, Emeritus Professor, Tufts University, Lead author of multiple IPCC reports
𝗣𝗲𝘁𝗲𝗿 𝗥𝗮𝘃𝗲𝗻, Director Emeritus Missouri Botanical Society, Recipient U.S. National Medal of Science and former President of American Association for Advancement of Science
𝗧𝗶𝗺 𝗦𝗲𝗮𝗿𝗰𝗵𝗶𝗻𝗴𝗲𝗿, Research Scholar, Princeton University and Senior Fellow, World Resources Institute
𝗡𝗶𝗹𝘀 𝗖𝗵𝗿. 𝗦𝘁𝗲𝗻𝘀𝗲𝘁𝗵, Professor, University of Oslo, Past president of The Norwegian Academy of Science and Letters, member U.S. National Academy of Science), French Academy of Sciences, and Academia Europaea
𝗝𝗲𝗮𝗻 𝗣𝗮𝘀𝗰𝗮𝗹 𝘃𝗮𝗻 𝗬𝗽𝗲𝗿𝘀𝗲𝗹𝗲, Professor, Université catholique de Louvain, Former IPCC Vice-chair (2008- 2015), member of the Royal Academy of Belgium, lead author or review editor of multiple IPCC reports

 

A carta completa com a lista de entidades signatárias:

Carta dos cientistas para o Parlamento Europeu acerca do uso da biomassa floresta para a produção de bioenergia

 

Infelizmente, no dia 19 de Janeiro, recebemos a notícia de que a petição acima não foi aceite.
Mas a petição não foi em vão. Conseguiu-se a inclusão de uma emenda que pode salvaguardar usos inapropriados. 
Esperemos que a brecha que foi aberta no Parlamento Europeu possa prosseguir.

Podem aqui ler a carta recebida:

"We are sorry to report that on this last Wednesday, the European Parliament voted to reject an amendment that would restrict the uses of forest biomass for bioenergy to residues and wastes. We’ve attached a copy of the vote below, with 282 voting in favor of the amendment. 

A modest “silver lining” might be an amendment agreed upon, which states: “To avoid unnecessary distortions of raw material markets, support schemes for renewable energy from biomass shall be designed to avoid encouraging inappropriate use of biomass primarily for energy production if there exists industrial or material uses providing higher added-value, which could include giving priority to the use of wastes and residues.” 

Many people have told us that the letter signed by roughly 800 scientists, an associated editorial, and visits to the European Parliament by several of the scientists, did succeed in substantially increasing understanding of this issue.

Many of you may be interested in continuing to raise attention to this issue. We will be back in touch with some thoughts about next steps soon.

Very best,

Tim Searchinger"

2017 em Retrospectiva

SPECO

 

 

Em 2017 a SPECO lançou diferentes eventos que contribuíram para a adesão de mais sócios e promoveram a visibilidade junto da sociedade civil.

Para os sócios recém doutorados foi lançado o Prémio de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias (http://www.speco.pt/pt/iniciativas?start=5), que recebeu nove candidaturas de norte a sul do país. Os trabalhos seleccionados foram amplamente divulgados na imprensa nacional e nas redes sociais tendo tido, por isso, um impacto considerável que irá prosseguir em 2018.

No primeiro trimestre a SPECO lançou o Ecologiaon top (http://www.speco.pt/pt/iniciativas/52-ecologia-on-top) sob o qual se propunha organizar uma série de eventos para mostrar a Ecologia como ciência fundamental na construção de caminhos mais sustentáveis, em prol de um desenvolvimento humano compatível com os recursos disponíveis. A ideia subjacente a esta proposta foi a de divulgar o conhecimento dos Ecólogos Portugueses e alcançar consensos pragmáticos que, idealmente, possam vir a ter um impacte imediato na visão e gestão do meio ambiente em Portugal.

No âmbito do Ecologiaon top  organizou-se um debate público na Escola Superior Agrária de Coimbra sobre a Reforma Florestal proposta pelo governo e enviou-se um parecer à Assembleia da República com os tópicos discutidos e apresentados pelos diferentes palestrantes convidados (http://www.speco.pt/pt/iniciativas/28-debates-publicos).

Aproveitando as celebrações dos 150 anos de Haeckel, considerado o pai da ecologia, a 14 de Setembro de 2016, a SPECO promoveu em 2017 este dia como Dia da Ecologia ou “Ecology Day”, propondo aos diferentes sócios, de norte a sul do país, apresentarem actividades que pudessem mostrar à sociedade o papel relevante que os investigadores realizam em prol da Ecologia em Portugal. A proposta contou de imediato com o apoio da Comissão Nacional da UNESCO e envolveu, directa ou indirectamente, cerca de 30 investigadores. As actividades oferecidas cativaram o público em geral, famílias, estudantes do ensino superior e cientistas, dependendo das datas em que foram inseridas, num total de mais de 200 pessoas. A divulgação foi realizada através do site (http://www.speco.pt/pt/iniciativas/52-ecologia-on-top/113-ecology-day-14-de-setembro-2017), Facebook e Twitter da SPECO, para além da efectuada pelas próprias unidades de investigação. A este propósito foi submetido um artigo à revista WebEcology, que foi aceite, estando já disponível online (https://doi.org/10.5194/we-17-65-2017).

As actividades científicas culminaram com o 16º Encontro Nacional de Ecologia, que decorreu em Lisboa, nos dias 9 e 10 de Novembro, com a participação de 90 investigadores, maioritariamente jovens ecólogos. Durante este encontro foram entregues os prémios de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias, que tiveram grande impacto na imprensa nacional (https://funchalnoticias.net/2017/10/26/investigador-madeirense-ganha-premio-de-doutoramento-em-ecologia/; https://www.noticiasdecoimbra.pt/investigadores-avaliam-os-efeitos-pesticidas-agricolas-nos-organismos-marinhos/) e nas redes sociais.

Finalmente, a SPECO participou activamente com pareceres (http://www.speco.pt/images/iniciativas/2017/ENCNB2025_SPECO.pdf), cartas de opinião (http://www.speco.pt/pt/iniciativas/50-nos-media), críticas construtivas (http://www.speco.pt/pt/iniciativas), que foram enviadas ao governo e à Assembleia da República sobre diferentes temas legislativos nomeadamente, Reforma Florestal, Estratégia Nacional da Conservação da Natureza e Biodiversidade, Estratégia de Educação Ambiental, Fundo Ambiental, para além de outros temas que marcaram a sociedade portuguesa durante o ano de 2017. 

Que Estratégia de Reflorestação para Portugal?

floresta Coentral

Após os incêndios que deflagraram em Portugal durante este ano, (arderam > 450 mil hectares), importa olhar para o futuro e pensar de forma corajosa o que se irá fazer em toda a área ardida. Nada do que foi dito (desde 15 Outubro até hoje) indica uma estratégia definida para as medidas preventivas e estruturantes. Antes, enunciam-se proibições para replantar eucalipto, acções para combater incêndios ou mesmo a constituição de uma empresa pública para a gestão da floresta. Nenhum destes documentos menciona que floresta se pretende para Portugal nem, especialmente, que cuidados deverão existir para encarar as alterações climáticas. Existem projectos experimentais, liderados por associações várias, bem intencionadas, mas sem estratégia de investimento, de organização do espaço florestal ou de prevenção contra as alterações que afectam o globo.

Um dos maiores desafios que Portugal enfrenta é saber como investir de forma sustentável nestes sistemas sócio-ecológicos degradados para que sirvam não só o desenvolvimento social e a atracção de gente jovem, mas também a conservação e sustentabilidade de uma biodiversidade resiliente ao aumento de temperatura e à falta de água, capaz de fornecer retornos económicos. Independentemente das causas, o fogo é uma perturbação que possivelmente se tornará mais frequente, associado ao aumento de períodos de seca mais longos. Por isso é necessário saber cuidar a floresta. Mas isso só é possível se, em simultâneo, for alterada a sua valorização sócio-económica. A floresta é muito mais do que a madeira que se explora actualmente. Para além desta, que é necessária, há a chamada Mata Mediterrânica, onde se exploram os frutos, o pasto, o mel, a caça, os cogumelos, a diversidade de serviços ecológicos que esses ecossistemas encerram, fundamentais para a humanidade. A biodiversidade florestal pode também ter grande potencialidade de valorização para o turismo ambiental, tirando partido da beleza geo-morfológica das nossas paisagens.

Perante esta situação a SPECO e seus associados propõem medidas de curto, médio e longo prazo, para salvaguardar a conservação do solo e a expansão oportunista das espécies invasoras, e promover a diversificação e conservação da floresta tendo em conta as alterações climáticas e a valorização sócio-económica do espaço rural. Complementa sobretudo o documento redigido por um grupo de investigadores independentes intitulado: “Pensar o país inteiro - Manifesto integral”.

 

Medidas de curto e médio prazo:

 

I. Conservação do solo

  1. Evitar limpezas e formação de roços, que desequilibram ainda mais o solo
  2. A colocação de palha ou folhada pode facilitar a retenção de água, limitar a erosão, aumentando a matéria orgânica necessária para a melhoria da qualidade do solo.
  3. Para o solo ter capacidade de recuperar, é necessário dar tempo à regeneração natural das espécies que se encontram no banco de sementes, disponíveis para germinar após as primeiras chuvas.
  4. A monitorização da regeneração natural (germinação do banco de sementes ou rebentação das espécies lenhosas) é essencial. Caso se detectem espécies invasoras a prioridade deve ser a sua remoção, um pouco antes da primavera. Devem ser deixadas as espécies autóctones. Esta remoção é fundamental para se evitar a proliferação de invasoras nos terrenos queimados.

II. Reflorestação

  1. Apoio técnico e financeiro aos produtores afectados pelos incêndios:
    1. (i) fileira do pinheiro-bravo, para realização de desbastes;
    2. (ii) fileira do eucalipto, para destoiça;
    3. (iii) para remoção de espécies vegetais invasoras que tenham surgido nos seus terrenos.
  2. Forte estímulo à constituição de pequenos viveiros regionais, para produção de plantas autóctones, locais, assegurando a diversidade genética das diferentes espécies, com vista a respeitar os seus limites de exploração e tolerância.
  3. Apoio técnico às organizações de voluntários para colheita de sementes ou ajuda à produção de plantas nos viveiros.
  4. Apoio técnico às organizações de voluntários e/ou escolas para a reflorestação.
  5. Estímulo à formação de parcerias para transferência de conhecimento, sempre com o apoio e participação de proprietários ou de associações de proprietários.
II.1. Florestas de produção
  1. Eucalipto - a reflorestação deve ser contida, como aliás já foi legislado. Mas mesmo nestes casos o seu padrão de distribuição à escala da paisagem deve ser implementado de modo a evitar extensas manchas contínuas de monocultura.
  2. Pinheiro-bravo - o pinhal de Leiria deve ser restabelecido, com gestão de linhagens seleccionadas tal como o era anteriormente. No resto do território, a sua mancha florestal deverá também ser re-equacionada, tanto no padrão de distribuição à escala da paisagem para evitar manchas contínuas, como à escala regional. O pinhal, no interior, tem subido até cotas que excedem os limites edafo-climáticos interessantes para a sua exploração. A diversidade genética é também muito baixa porque os viveiros apenas replicam clones, sem preocupação de assegurar diversidade de espécies.
  3. Não devia ser permitida a substituição de pinhal por eucaliptal numa lógica de compensação.
II.2. Floresta autóctone
  1. Apoio técnico-científico aos proprietários que queiram reflorestar com espécies autóctones (abertura de candidaturas e programas).
  2. Estímulo à promoção do bosque autóctone, numa lógica de associativismo florestal.
  3. Aumentar a capacidade dos viveiros regionais para a propagação de linhagens locais ou, pelo menos, regionais de espécies autóctones como as quercíneas, ou outras como castanheiros, pinheiro do alepo (muito resistente à secura e zonas degradadas), salgueiros, choupos e freixos, samouco e sorveiras nativas. O material a ser usado deverá ser de proveniência local, em especial de elementos emergentes e naturalmente seleccionados como mais resistentes a períodos de seca.
  4. Apoio técnico-científico para a distribuição das várias espécies acima indicadas que deve assentar na repartição dos diferentes óptimos edafo-climáticos.
  5. Apoio técnico-científico para os métodos de preparação do solo e instalação já que estes se devem basear nas características das espécies seleccionadas e focando a constituição de florestas heterogéneas, que no imediato maximizam a biodiversidade, incrementando-a ao longo do período de exploração.
  6. Estímulo à promoção de outras espécies lenhosas mediterrânicas como o medronheiro, alfarrobeira, urzes, entre outras, numa óptica de maior tolerância à seca, e elevada capacidade de resiliência e estratégia regenerativa.
  7. Estímulo ao associativismo entre proprietários e à transferência de conhecimento entre investigadores e os proprietários dos terrenos, à semelhança do que Espanha faz há muito.
  8. Estímulo à sociedade de conhecimento para o desenvolvimento de uma plataforma online que informe sobre a localização exacta, o estatuto de ameaça e a conservação de espécies e habitats (candidaturas e programas direccionados).

 

III. Valorização sócio-económica da nova floresta

  1. Para se alterar a paisagem florestal de monocultura para floresta de crescimento lento mas mais rica em biodiversidade, devem ser promovidos incentivos vários a nível da comunicação, formação e apoio financeiro.
  2. Participação e envolvimento das populações em todo este processo.
  3. Estímulo à formação e apoio constante de equipas interdisciplinares (investigadores, proprietários, industriais, comerciantes) para assistência a proprietários e associações na valorização e aproveitamento da nova floresta.
  4. Estímulo às associações de gestão florestal que, com o apoio de investigadores e técnicos especializados a nível municipal, saberão aconselhar o que plantar e como acompanhar.
  5. Fomento e apoio à constituição de fileiras económicas baseadas no aproveitamento dos produtos da floresta renovada.

Medidas de longo prazo

  1. Vigilância da conduta dos agricultores como promotores de pontos de ignição.
  2. Estímulo à formação das associações de gestão florestal para a utilização de fogo controlado como ferramenta de limpeza e renovação de pasto, com o apoio de investigadores especializados e bombeiros profissionalizados.
  3. Estímulo à formação das associações de gestão florestal para a avaliação e monitorização contínua do processo de reflorestação, com o apoio de investigadores e técnicos.
  4. Estímulo à formação de parcerias entre a sociedade do conhecimento e as associações de gestão florestal, numa óptica de intercâmbio e assessoria científica e experimental.
  5. Incentivo à fiscalização e regulamentação de viveiros de produção e comercialização de plantas autóctones e ornamentais, através da articulação entre a autoridade florestal e a autoridade fitossanitária.
  6. Incentivos estatais à formação de quadros técnicos, à difusão pela população da importância dos espaços florestais, ao desenvolvimento de programas nacionais sobre os ecossistemas florestais, ao financiamento de investigação básica sobre a biologia e ecologia das espécies.
  7. Estímulo à articulação livre e democrática entre a investigação e as políticas públicas. Todos devem poder participar na avaliação e monitorização dos impactos (a seguir às catástrofes humanas) e à subsequente reflorestação.
  8. Incentivo à criação de uma colecção de imagens LIDAR, imagens hiperespectrais, modelos digitais de terreno, fotos aéreas e inventários florestais nacionais, de livre acesso a todos os que queiram investigar os temas da floresta e dos fogos em Portugal.
  9. Incentivo à informação climática actualizada, com elevada resolução espacial e temporal, disponibilizada aos investigadores em diversos formatos, de forma pública.
  10. Estímulo aos investigadores para apresentação de modelos prospectivos que descrevam o comportamento da floresta.

 

 
Sócios participantes na redacção deste manuscrito:

Maria Amélia Martins-Loução (Presidente da SPECO, Prof. Universidade de Lisboa)

Cristina Máguas (Vice-Presidente da SPECO, Prof Universidade de Lisboa)

Daniel Montesinos (Secretário da Direcção, Investigador do CFE, Universidade de Coimbra)

Susana Gonçalves (Vogal da Direcção, Investigadora do CFE, Universidade de Coimbra)

Graça Oliveira (Investigadora do cE3c, Universidade de Lisboa)

Manuel João Pinto (Investigador do cE3c, Universidade de Lisboa)

Cristina Branquinho (Prof Universidade de Lisboa)

Alice Nunes (Investigadora do cE3c, Universidade de Lisboa)

Cristina Cruz (Prof. Universidade de Lisboa)

Helena Freitas (Ex-Presidente da SPECO, Prof. Universidade de Coimbra)

Elizabete Marchante (Investigadora do CFE, Universidade de Coimbra)

Hélia Marchante (Prof Escola Superior Agrária, IPCoimbra; Secretária da Assembleia Geral da SPECO)