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Ecology Day: 14 de Setembro 2017

O Ecology Day foi lançado, em 2016, pela Federação Europeia de Ecologia para realçar a importância da Ecologia como ciência, em evolução, capaz de desafiar a sociedade e a cidadania. A data escolhida, 14 de Setembro, corresponde ao dia em que Ernst Haeckel definiu, pela primeira vez, Ecologia.

Em 2017, a SPECO (Sociedade Portuguesa de Ecologia) lançou o desafio a todos os sócios para celebrar este dia com actividades várias que pudessem mostrar à sociedade o papel relevante que os investigadores da SPECO realizam em prol da Ecologia em Portugal. A proposta contou de imediato com o apoio da Comissão Nacional da UNESCO. Foram várias as iniciativas oferecidas de norte a sul do país, entre os dias 9 a 22 de Setembro, por diferentes centros de investigação: Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c), da Universidade de Lisboa, Centro de Ecologia Funcional (CFE), da Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Ambientais e Marinhos (CESAM), da Universidade de Aveiro, Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), nos pólos da Universidade de Lisboa e da Universidade de Coimbra.

Quando a SPECO lançou a iniciativa, em Junho deste ano, a recepção dos investigadores foi bastante positiva, com verdadeiro entusiasmo, “ou não fosse o cE3c um centro em Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais”, afirmou Marta Santos. Sobretudo, constituiu uma iniciativa com interesse para “divulgar não só a ecologia como um todo, mas também o trabalho dos ecólogos e a sua importância na sociedade”, explicou a investigadora Elizabete Marchante do CFE. Aliás, este tipo de iniciativas pode permitir “despertar a curiosidade para o meio envolvente e servir de alerta ambiental”, explicou Ana Gonçalves do MARE-UC, ou como “oportunidade para divulgar a investigação ecológica realizada no CESAM, em particular na região de Aveiro”, acrescentou Ana Lillebo. Para o CITAB-UTAD esta proposta foi encarada numa lógica de iniciativa outreach associando o Centro de Ciência Viva da Câmara Municipal de Vila Real.

Todos anuíram a celebrar o dia porque consideram fundamental cativar o público para o significado da Ecologia como ciência e mostrar a investigação que cada centro realiza nesta área. “Já pretendíamos apostar na organização de mais eventos de comunicação de ciência para o público, e o Ecology Day surgiu como uma óptima oportunidade”, confirmou Marta Santos do cE3c. Também para Elizabete Marchante do CFE este evento foi o pretexto para divulgar “o trabalho que desenvolve sobre as invasões biológicas”. Actividades como esta permitem ainda “mostrar a importância da educação ambiental

e do conhecimento ecológico para a formação cívica da população em geral e das camadas mais jovens em particular”, como refere o investigador João Cabral do CITAB- UTAD. Serve ainda para divulgar o significado e importância dos sítios LTER (Long Term Ecological Research) lançados, oficialmente, pela SPECO em 2011, depois de um trabalho preparatório de oito anos. Estes sítios, espalhados pelo continente, são verdadeiros observatórios de investigação ecológica e cobrem áreas de montado (seis zonas espalhadas pelo Alentejo), de estuários (Minho, Mondego e Mira), de Ria (de Aveiro) e da região hidrográfica do Baixo Sabor. A recolha sistemática de dados tem permitido um conhecimento imenso pouco conhecido e valorizado pela população em geral. O Ecology Day foi, por isso, uma oportunidade para divulgar, a nível da região de Aveiro, o património ecológico da Ria, e a utilização das comunidades aquáticas para avaliar a qualidade ambiental e ecológica do estuário do Mondego, como referiram as equipas do CESAM e do MARE-UC, respectivamente.

Todos os intervenientes foram unânimes em afirmar que gostariam de continuar a participar nos próximos anos, apostando numa maior divulgação e preparação atempada. A recepção do público foi boa e a experiência adquirida permitiu mostrar que uma melhor organização permitirá maior participação, embora no total se tenham envolvido mais de 200 pessoas espalhadas pelas diferentes regiões. É, por isso, necessária a organização prematura por parte dos centros de investigação. No caso do CITAB, em Vila Real, com a sua ligação ao Centro de Ciência Viva e às escolas, a preparação antecipada do evento é fundamental para permitir um público mais diversificado e mais jovem.

A divulgação é outro factor a melhorar e confirmado por todos como sendo crucial para se conseguir chegar a um maior número de pessoas. Embora a SPECO tenha usado as suas redes sociais, a difusão foi fraca porque, de modo geral, a organização dos eventos foi tardia. A filosofia subjacente a esta celebração é mostrar a importância da investigação ecológica como ciência integradora para a resolução de problemas ligados ao património natural nacional. Monitorizar, recolher e tratar dados, desenhar modelos é algo que os ecólogos realizam e devem saber difundir. No entanto, promover uma revolução cultural e política para que a perspectiva ecológica seja usada nos processos públicos de tomada de decisão, deve constituir o desafio actual dos ecólogos. E isto faz- se com tempo e persistência, de forma organizada e sustentada cientificamente, a fim de aumentar a consciência ecológica dos cidadãos.