A missão e comunicação da Galeria da Biodiversidade, com Maria João Fonseca

Galeria da Biodiversidade, Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto

Licenciada em Biologia Animal Aplicada e Ensino da Biologia e com um Doutoramento em Ensino e Divulgação das Ciências, Maria João Fonseca (MJF) é actualmente Directora de Comunicação do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP).  Tem uma vasta experiência no design, implementação e avaliação de actividades educativas em ambientes de aprendizagem formais e não formais, bem como em comunicação institucional. Entre os seus interesses encontram-se temas como a cultura científica, o cruzamento entre a arte e Ciência na Promoção da mesma, educação em ciência em ambientes informais, sobretudo museus e centros de ciência, metodologias de aprendizagem activa e avaliação do impacto de experiências educativas.

Depois de vários momentos de colaboração entre a SPECO e a Galeria da Biodiversidade, estivemos à conversa com Maria João Fonseca para sabermos um pouco mais acerca do seu papel e da missão que tem a seu cargo no museu.

Uma “maioria microbiana invisível”

Cristina Cruz e Maria Amélia Martins-Loução, as promotoras do Dia Internacional do Microrganismo

A celebração de dias especiais ao longo do ano tem como objectivo, entre outros, relembrar feitos históricos, chamar a atenção para questões de saúde ou consciencializar para problemas ambientais. Poderá, assim parecer estranha a ideia de celebrar os microrganismos quando, mentalmente, as pessoas associam micróbios a doenças. Puro engano. Apenas uma infinitésima parte de todos os microrganismos presentes no planeta são prejudiciais à saúde. Nem nos apercebemos quão dependentes estamos desses pequenos seres invisíveis para o nosso bem-estar. Eles são fundamentais na alimentação, na saúde, na reabilitação ambiental, na produção de energia e numa área prioritária para a Europa, a bioeconomia. Sendo organismos dum mundo invisível o medo instala-se por ausência de conhecimento e identificação. Urge desmistificar este grupo de organismos e mostrar o que são e o que nos ajudam a fazer.

As ligações entre a Ecologia e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável

Como pode a Ecologia contribuir para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável

Durante uma semana, cinco centenas de investigadores de 43 países e cinco continentes, estiveram reunidos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para mostrar e discutir como a ecologia, enquanto ciência transversal, pode contribuir para os objectivos do desenvolvimento sustentável (ODS). Para além de apresentar e discutir os mais recentes resultados, vieram sobretudo mostrar como a abordagem multidisciplinar contribui para colmatar os actuais desafios sociais. O programa foi preparado para providenciar a oportunidade de amplas discussões, com momentos de convívio, para além de ter estimulado a presença e participação activa de um número considerável de parceiros e instituições públicas e privadas. Como a ausência de uma ligação directa à sociedade reduzia o evento à comunidade académica e o afastava dos motivos por detrás da sua génese, a organização decidiu abrir o primeiro dia ao público em geral. Esta decisão, sem precedentes em congressos anteriores, permitiu alargar a discussão entre dois debates, um dedicado à geopolítica das alterações ambientais e outro, sobre o papel que a Ecologia tem vindo a desempenhar para o sucesso dos ODSs.

Metade do planeta devia ser Natureza pura

Miguel Bastos Araújo no 15º Congresso Europeu de Ecologia

Metade do planeta deve ser conservado como “Natureza pura”, uma apólice de seguro contra os impactos humanos no planeta, defende o biogeógrafo Miguel Araújo, que estuda o mapa da vida na Terra, conta a Lusa.

“É viável e realista, com vontade política. Dezassete por cento do planeta está classificado como área protegida, em Portugal, 30% do território tem alguma figura de conservação”, disse o investigador da Universidade de Évora à agência Lusa à margem do congresso da Federação Europeia de Ecologia, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O investigador afirma que esse esforço de “preservar uma área grande do planeta livre de atividades humanas” tem outra face: “Temos que aumentar os níveis de sustentabilidade das nossas atividades, como a pesca ou a agricultura e ter cidades mais sustentáveis, mas temos falhado nesses objetivos e estamos numa situação de emergência”, disse.

As alterações climáticas em Portugal e no mundo

Entrevista a Wolgang Cramer, especialista mundial em alterações climáticas

Para Wolgang Cramer, "a quantidade de emissões de gases de estufa a que nos permitimos com a aviação é absurda".

De avião, a deslocação entre Montpellier, em França, e Lisboa dura cerca de cinco horas — com uma escala em Paris. De comboio, o mesmo percurso demora mais do triplo do tempo — a rota mais directa é Montpellier-Madrid-Lisboa. Além do tempo de viagem, há outra diferença considerável: a quantidade de gases com efeito de estufa emitidos é muito inferior quando se opta pelo comboio em detrimento do avião. É por isso que Wolfgang Cramer, director científico no Instituto Mediterrânico de Biodiversidade e Ecologia (em Aix-en-Provence, França), opta pelo transporte ferroviário sempre que pode. Foi assim que se deslocou até Lisboa, para participar no Congresso da Federação Europeia de Ecologia, que decorre até amanhã [2 de Agosto de 2019] na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O PÚBLICO é media partner do evento que tem como mote A Incorporação da Ecologia nos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030.

Os efeitos do trânsito automóvel na saúde humana

Os efeitos do trânsito automóvel na saúde humana

De uma coisa Bénédicte Jacquemin tem a certeza: a poluição do ar na Europa só se resolve se se reduzirem os carros nas cidades.

A investigadora belga e mexicana do Instituto Nacional da Saúde e Investigação Médica, em França, vai estar amanhã no 15.º Congresso da Federação Europeia de Ecologia, em Lisboa, a falar de poluição atmosférica, das suas causas e da investigação que desenvolve. “A poluição é perigosa para a saúde e precisamos de fazer lobby para a combater”, disse ao PÚBLICO sobre a mensagem que transmitirá. “A maioria das pessoas só pensa que a poluição atmosférica é prejudicial para os pulmões, mas é para a maioria dos órgãos.” A partir de hoje até sexta-feira, vários cientistas portugueses e estrangeiros juntam-se a ela neste congresso na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, organizado pela Sociedade Portuguesa de Ecologia, e de que o PÚBLICO é media partner, tendo como mote “A Incorporação da Ecologia nos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável” da ONU para 2030. 

Os jovens pedem uma educação que responda aos desafios do nosso tempo

A ligação entre a sustentabilidade e a educação

Escolas com lagos e jardins com os seus próprios problemas ambientais podem criar uma geração menos apática aos riscos das alterações climáticas, defende o investigador holandês Arjen Wals, que alerta para os riscos do “ecototalitarismo”.

Em entrevista à agência Lusa em Lisboa, à margem do 15.º Congresso da Federação Ecológica Europeia, que começou nesta segunda-feira em Lisboa, o professor da Universidade de Wageningen e titular da cadeira de Aprendizagem Social e Desenvolvimento Sustentável da UNESCO afirmou que é preciso “agir para sair de uma economia e uma educação que serve a economia, que só serve para estimular o desenvolvimento, o crescimento e a inovação para aumentar o lucro de accionistas”.

A Ecologia e os Ecólogos

O papel da Ecologia e dos ecólogos no século XXI

A definição do conceito de ecologia deve-se ao investigador e ilustrador alemão Ernst Haeckel que morreu há, precisamente, 100 anos. Por ecologia entende-se o estudo de todas as complexas interrelações entre organismos e o meio envolvente, incluindo, em sentido lato, todas as condições necessárias à sobrevivência. Durante o século XX a ecologia cresceu como ramo da biologia mas, a partir da década de 60, o seu impacto foi maior pelo crescimento e desenvolvimento económico do pós-guerra. Desabrocharam, nessa altura, dois grupos: um, influenciado por Rachel Carson e Barry Commoner, apostados em denunciar o impacte negativo do Homem no ambiente, e outro, mais científico e profundo, liderado por Eugene Odum e Paul Ehrlich, que incluíam nos seus estudos o Homem como outra espécie da natureza. O seu objectivo era estudar e interpretar cientificamente as respostas dos organismos às diferentes condições que afectam o seu desenvolvimento. O primeiro deu origem ao movimento ecologista, com uma forte implantação social e política. O segundo, mais introspectivo, aos ecólogos, enquanto profissionais que se fundamentam em dados recolhidos segundo o método científico.