Mais informaçoes: info@speco.pt

A “nossa” casa está a arder

Segundo Maria Amélia Martins-Loução, Presidente da SPECO, "as presentes propostas de “desenvolvimento” para o estuário do Tejo e do Sado são apenas alguns exemplos em como os interesses económicos e políticos atropelam a salvaguarda de zonas húmidas com estatuto de protecção.".

Sustentabilidade é, actualmente, um vocábulo “politicamente correcto” e o seu uso é generalizado, na sociedade, como sinónimo de comportamento comedido de consumo. Palavras vãs e vazias quando as acções não se coadunam com o que se apregoa. A sustentabilidade é uma característica dos sistemas naturais, onde as leis da natureza asseguram os fluxos de energia e matéria entre os diferentes compartimentos: solo, organismos vivos e atmosfera num ciclo harmonioso e equilibrado. A biodiversidade presente oferece elevada resiliência pelo estabelecimento de ligações e parcerias entre indivíduos da mesma espécie e de espécies diferentes, assegurando uma diversidade funcional sustentável. Mas a sustentabilidade dos sistemas naturais não é alcançada, apenas, por uma maior diversidade. Mais biodiversidade sem interacções entre organismos, antes com espécies oportunistas e competitivas, origina sistemas fragilizados pouco ou nada sustentáveis. A dificuldade está, pois, em saber gerir ecossistemas, sem conhecer ou ignorando as leis da natureza, mas com o objectivo de os preservar para que continuem a prestar serviços de que os seres humanos dependem, como a qualidade da água, do ar, a regulação climática, entre outros.

 

Vem isto a propósito dos atropelos consecutivos que se observam na gestão do território, em prol da necessidade do desenvolvimento económico e turístico, particularmente das zonas húmidas. Passou, por isso, despercebido o Dia Internacional das Zonas Húmidas, a 2 de Fevereiro. Estas zonas incluem ambientes aquáticos do interior e costeiro, em que a água cobre o solo ou está presente à superfície, por períodos variáveis ao longo do ano. Ou seja, estão sujeitos a um gradiente hídrico, com situações de seca ou alagamento, que suporta uma flora e fauna únicas. Portugal assinou a Convenção das Zonas Húmidas em 1980 e, desde então, alargou a lista a 31 sítios de importância internacional e com estatuto de protecção legal. Apesar do seu estatuto, a degradação destas zonas é visível. A especulação da construção, a agricultura intensiva, o abandono, a acumulação de lixo e a poluição das águas são alguns dos factores que contribuem para a degradação, um pouco por todo o território. Sendo zonas degradadas, muitas vezes de águas poluídas e paradas, são locais propícios para o aparecimento de mosquitos. A baixa educação ambiental e o notório desinvestimento de protecção fazem destes ecossistemas peri-urbanos locais de repúdio, afastamento e abandono. É um círculo vicioso por falta de estratégia política, compromisso municipal e literacia ambiental.

 

Leia a notícia completa no Público.