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A biodiversidade na base dos Serviços dos Ecossistemas e como ferramenta em Ecologia de Ecossistemas

Índice do artigo

Introdução

A Ecologia como ciência tem apenas 150 anos e, dentro da biologia, foi sempre muito controversa pelas inúmeras perspectivas com que podia ser abordada. Quando se pensa na etimologia da sua palavra (oikos, casa e logia, conhecimento) percebe-se que o maior desafio numa abordagem ecológica é a complexidade dos seus componentes. E se antes existia uma visão muito naturalista da ecologia, ao pensar-se no homem como parte integrante do ecossistema Terra, é natural que para se compreender esta complexidade se chame biólogos, sociólogos, geoquímicos, físicos, matemáticos, geógrafos, até antropólogos.

Por isso, importa aqui trazer um pouco a história dos conceitos e do papel que os diferentes investigadores tiveram ao longo dos tempos. Como é uma ciência relativamente jovem a história não é longa, mas acaba por ser complexa quando se percebe como penetra cada vez mais nos problemas ambientais que tanto afectam a humanidade. É, por exemplo, com base em estudos ecológicos e antropológicos que um grupo de geólogos se está a debruçar sobre a mudança da actual era geológica de Holoceno para Antropoceno (Williams et al., 2016).

Se a Ecologia tem 150 anos, a sua unidade base - o ecossistema - tem apenas 81 desde que foi concebido e cerca de 50 anos até ser aceite e vulgarizado dentro da comunidade científica internacional. A perspectiva histórica que se pretende mostrar neste artigo tem apenas como objectivo mostrar como esta jovem ciência é complexa e como beneficia da interdisciplinaridade para poder ser abordada de forma holística.

Mas a ecologia e os ecossistemas foram relançados como paradigma na Conferência do Rio em 1992, onde os problemas ambientais foram discutidos e onde, pela primeira vez, se pediu à comunidade científica para fornecer mais estudos sobre os componentes dos ecossistemas, as espécies, e sobre a forma como elas respondem aos problemas ambientais como a poluição, o aumento da temperatura, a sobre-exploração dos habitats (CBD, 1992). E foi no âmbito das Nações Unidas e em resultado dos diferentes gritos de alerta sobre o estado do planeta Terra que surgiram diferentes oportunidades para que a Ecologia e os seus investigadores mostrassem quão valiosas são as suas abordagens. Se antes se falava apenas em biodiversidade como sinónimo de número de espécies, a noção de grupos funcionais e o conhecimento de processos de associação, parasitismo ou competição entre espécies ou grupos veio mostrar que a riqueza de um ecossistema está de facto nos serviços que presta ao homem.

Os serviços do ecossistema, definidos por Costanza no fim do séc. XX (Costanza et al., 1997) são, hoje em dia, um ex libris por serem fundamentais para o Homem. Toda a comunidade científica internacional entende a importância do que significam esses serviços porque são eles que asseguram os recursos mínimos à sustentabilidade do planeta e da humanidade. A análise destes conceitos e do que representam para a sociedade pode permitir compreender como é que a gestão ecológica passou a assentar em conceito de ecologia de ecossistemas tendo por base a análise holística do comportamento das espécies no ecossistema.

Com este trabalho pretende-se sobretudo mostrar como é fundamental abordar o conhecimento dos problemas ambientais de forma global. Isto justifica a existência de abordagens multi e interdisciplinares que permitem a construção de modelos cada vez mais fiáveis e que sirvam os interesses duma gestão ecológica baseada nas respostas dos componentes dos ecossistemas. Esperamos, ainda, que este artigo possa servir de catalisador a outros para rever conceitos, objectivos e métodos a fim de se desenvolver uma ciência ecológica cada vez mais pragmática e fidedigna.

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