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A biodiversidade na base dos Serviços dos Ecossistemas e como ferramenta em Ecologia de Ecossistemas

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Os Serviços dos Ecossistemas

Os recursos terrestres e bem-estar humano individual dependem, de forma crítica, do meio ambiente (terrestre e aquático) que nos rodeia. É dele que o Homem retira o alimento, a água e o ar essenciais à vida e ainda minerais e matérias-primas para a indústria e consumo humano. O ambiente fornece ainda, de forma menos óbvia, os processos que purificam o ar e a água, e que sequestram ou degradam resíduos. É também nele que o Homem encontra a recreação, fonte de inspiração, saúde e consolo, e em que a cultura encontra as suas raízes e sentido de lugar. Os cientistas referem-se a estes serviços que o ambiente fornece como "serviços dos ecossistemas". Porque o ambiente ou meio ambiente em sentido lato, não é mais do que um ecossistema mais ou menos lato que nos rodeia. No entanto, este meio envolvente está tão presente, sempre tão garantido, que a sociedade humana não entende o suporte que ele transmite e a dependência de sustentabilidade que ele cria. Enquanto se percebe a necessidade de pagar por alguns serviços dos ecossistemas como alimentos e fibras, desconhece-se na maior parte das vezes a importância de outros serviços como a purificação do ar e da água. São bens garantidos, até agora, para os quais não há sequer noção de custos, como por exemplo a purificação da água ou do ar. Esta subestimação do valor dos processos naturais em termos económicos significa que se tomam decisões sobre como usar esses recursos de forma inadequada por não haver informação correta. A consequência é a poluição, a perda de espécies e ecossistemas e danos dos processos ecológicos. É essencial que se aprenda a valorar o total dos serviços dos ecossistemas para a sustentabilidade de uma população humana saudável, sobretudo como resultado de maiores pressões sobre os recursos naturais, resultado do aumento das populações e do aumento do consumo per capita. Ao fazê-lo, não se pode apenas proteger o que se tem e reparar os danos onde é necessário, mas antes procurar aproveitar os recursos de forma sustentável e por isso mais eficazmente para gerar riqueza e bem-estar (UK-NEA, 2014).

Os serviços dos ecossistemas são os benefícios proporcionados pelos ecossistemas que contribuem para tornar a vida humana possível e digna de ser vivida. O termo «serviços» é geralmente utilizado para abranger os benefícios tangíveis e intangíveis que os seres humanos obtêm dos ecossistemas, que por vezes são separados em «bens» e «serviços». Exemplos de serviços dos ecossistemas incluem produtos como alimentos e água, regulação de inundações, erosão do solo e surtos de doenças e benefícios não materiais como benefícios recreativos e espirituais em áreas naturais.

Alguns serviços de ecossistemas envolvem a provisão direta de bens materiais e não materiais para as pessoas e dependem da presença de espécies particulares de plantas e animais, como por exemplo, alimentos, madeira e medicamentos. Outros serviços surgem direta ou indiretamente do funcionamento dos processos dos ecossistemas. Por exemplo, o serviço de formação de solos e fertilidade do solo que sustenta a produção agrícola e pecuária depende dos processos de decomposição e reciclagem de nutrientes pelos microrganismos do solo (UK-NEA, 2014).

Alguns serviços dos ecossistemas (por exemplo, provisão de alimentos) podem ser quantificados em unidades que sejam facilmente compreensíveis pelos formuladores de políticas e pelo público em geral, por exemplo em valor monetário. Outros serviços, por exemplo, aqueles que suportam e regulam os níveis de produção de colheitas, são mais difíceis de quantificar, como por exemplo o recarregamento dos aquíferos ou a regulação climática. Se uma definição baseada na contabilidade é aplicada de forma muito estrita, existe o risco de que a avaliação dos serviços dos ecossistemas possa ser tendenciosa em direção a serviços que sejam facilmente quantificáveis. No entanto muitas vezes são os serviços de regulação aqueles que se podem tornar os mais críticos para o bem-estar humano (UK-NEA, 2014).

Uma vez que os serviços dos ecossistemas são definidos em termos de benefícios para a sociedade, deve-se reconhecer que esses serviços são dependentes do contexto regional ou local, ou seja, a mesma característica de um ecossistema pode ser considerada um serviço do ecossistema por um grupo de pessoas, mas não ser valorizado por outro (UK-NEA, 2014). Esta abordagem conceptual dos serviços dos ecossistemas ajudam a reflectir e a compreender o papel dos diferentes intervenientes em todo esta interligação, homem, natureza, bem-estar, bens e serviços (Fig. 2).

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Figura 2. Abordagem conceptual dos serviços do ecossistema e das suas interligações sociais, políticas, governativas e com o ecossistema. A negro estão os promotores de alteração do ecossistema. Directos, como sejam a agricultura, poluição etc. Indirectos, relacionados com a governação e a sua acção sobre a sociedade, a exploração de recursos e a influência sobre os promotores de acção directa. A sociedade, por seu lado pode também influenciar, pela sua consciencialização ambiental os promotores de alteração directa especialmente quando desenvolve uma cidadania activa. Baseado em (UK-NEA, 2014).

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