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A biodiversidade na base dos Serviços dos Ecossistemas e como ferramenta em Ecologia de Ecossistemas

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A Biodiversidade na Base dos Serviços dos Ecossistemas

Todos os processos ecológicos são o produto de interações entre diferentes grupos de organismos e por isso dependem da sua existência e diversidade. Nesse sentido, a biodiversidade – definida como a diversidade e variabilidade dos organismos vivos, desde a diversidade genética de uma espécie, à diversidade entre espécies e ecossistemas – está, em última análise, na base do funcionamento de todos os ecossistemas e, por conseguinte, na base do fornecimento dos Serviços dos Ecossistemas. De importância crucial são os produtores primários - plantas superiores, algas e alguns tipos de bactérias - que aproveitam a energia da luz solar para transformar dióxido de carbono em compostos orgânicos complexos que os organismos heterotróficos, como os seres humanos carecem para a nutrição. Este processo, denominado fotossíntese, requer ainda água como substracto oxidável. Igualmente vital é a decomposição dos organismos realizada pelos decompositores – invertebrados, fungos e bactérias - que transformam resíduos potencialmente nocivos em formas reutilizáveis e que asseguram e mantém o ciclo dos nutrientes (Dias et al., 2012; Dias et al., 2013). Em terra, a grande maioria dos produtores primários é proveniente de plantas. Para os ecossistemas funcionarem eficazmente, a biodiversidade terá de estar assegurada, particularmente a dos produtores primários e dos decompositores, base de sustentabilidade do ecossistema. Mas os produtores primários, para poderem dar o suporte e provisionamento necessários, precisam de apresentar diversidade de espécies, de estrutura (estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo), para manter a função e fertilidade do solo, assegurando a regulação dos factores físicos e edáficos do sistema. Por outro lado, a sua manutenção está dependente de toda uma cadeia trófica complexa – herbívoros e carnívoros - que para além de outros serviços, assegura a variabilidade genética (polinizadores), o controlo e a manutenção das populações (herbívoria e carnivoria) e a distribuição das espécies vegetais (dispersores).

A biodiversidade sustenta todos os serviços dos ecossistemas (Pinho et al., 2017). Desempenha uma ampla gama de papéis funcionais e está, por isso, na base da sustentabilidade dos serviços dos ecossistemas. Os exemplos variam desde os decompositores – invertebrados, bactérias e fungos – responsáveis pelo funcionamento dos ciclos de nutrientes, que são processos fundamentais em todos os ecossistemas, a grupos de animais carnívoros, do topo da cadeia trófica, como aves e mamíferos, que para além de serem culturalmente importantes para muitas pessoas, são fundamentais para o equilíbrio geral do sistema. Em ecossistemas experimentais, com níveis relativamente elevados de biodiversidade, as funções do ecossistema são mais estáveis ao longo do tempo, com efeitos comparáveis aos dos ecossistemas naturais. Estas evidências mostram que, em termos gerais, o nível e a estabilidade dos serviços dos ecossistemas tendem a melhorar com o aumento da biodiversidade que se torna, por isso, uma componente chave.

A biodiversidade é, pois, uma componente que fornece múltiplos serviços aos ecossistemas ditos multifuncionais (Pinho, Moretti, Luz, Grilo, Vieira, Luís, Rosalino, Martins-Loução, Santos-Reis, Correia, Pereira, Gonçalves, Matos, Cruz-de-Carvalho, Rebelo, Dias, Mexia, & Branquinho, 2017). A nível global, este reconhecimento tem redobrada importância para o desenvolvimento de estratégias de gestão dos ecossistemas. 

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