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A resposta funcional de plantas à desertificação e degradação do solo – contributo para estratégias de restauro

É crucial entender o impacto das alterações climáticas nos ecossistemas áridos, pois poderão agravar a desertificação e degradação dos solos, comprometendo o funcionamento dos ecossistemas e os serviços por eles prestados. Os atributos funcionais das espécies determinam a sua resposta ao meio ambiente e também a sua influência nos processos do ecossistema. Deste modo, permitem um entendimento mecanicista da resposta dos ecossistemas ao clima. O principal objectivo deste trabalho de doutoramento foi modelar a resposta de ecossistemas áridos ao clima com base em atributos funcionais de plantas (AFP), usando um gradiente climático espacial para prever alterações ao longo do tempo. Pretendeu-se assim desenvolver um indicador ecológico baseado em AFP para monitorizar os efeitos do clima nestes ecossistemas, e contribuir para melhorar as estratégias de gestão e restauro de zonas áridas.

 

Embora a maioria das métricas de diversidade funcional requeiram a quantificação dos AFP no campo, não existia consenso sobre qual o melhor método para ser usado à escala global. Neste trabalho foram comparados diferentes métodos e demonstradas as vantagens do método dos quadrados pontuais na monitorização de fina-escala dos AFP em zonas áridas. Saber quais os AFP que respondem ao clima é essencial para o seu uso como indicadores de alterações nos ecossistemas. No entanto, existia uma lacuna no conhecimento neste âmbito. Neste trabalho foram identificados nove AFP que respondem à aridez. Esta afectou a média e reduziu a diversidade funcional da maioria dos AFP. O uso de gradientes climáticos no espaço para prever respostas ao clima no tempo requer a  comparação de ambos os padrões, para a validação desta abordagem. Este estudo mostrou que as variações climáticas entre anos afectam os AFP, indicando que as características funcionais das comunidades de plantas são transientes, e que a diversidade funcional tende a diminuir em anos climaticamente mais limitantes. Assim, se se mantiverem condições de maior aridez ao longo do tempo, espera-se que os padrões de resposta no tempo convirjam para os do espaço, i.e. que haja uma redução na diversidade funcional. Este trabalho mostrou também que a diversidade funcional responde de forma mais previsível ao clima do que a diversidade de espécies. Foi desenvolvido um indicador baseado em múltiplos AFP, que diminui de forma monotónica não-linear com a aridez, e que pode ser usado para mapear áreas em risco de desertificação e degradação do solo, potencialmente a uma escala global. A gestão da cobertura de arbustos é considerada um aspecto importante em muitas zonas áridas, sobretudo onde existe pastoreio. Contudo, não era claro que factores a determinam em zonas áridas Mediterrânicas. Neste trabalho demonstrou-se que os factores topográficos e edáficos têm uma maior influência nos AFP envolvidos na colonização por arbustos, do que os factores climáticos. Estes resultados sugerem que as alterações climáticas não promoverão a colonização por arbustos, e contribuem para melhorar as estratégias usadas para a sua gestão. Os AFP podem ser uma ferramenta importante no restauro de zonas áridas, mas a extensão do seu uso permanecia desconhecida. Foi apresentada uma visão geral sobre projectos de restauro implementados em zonas áridas Mediterrânicas, demostrando-se a necessidade de uma melhor integração dos AFP na sua implementação e monitorização, por exemplo, como indicadores da recuperação funcional dos sistemas restaurados. 

Este trabalho demonstrou que os AFP são indicadores consistentes do impacto do clima nos ecossistemas, e contribuiu para melhorar as previsões dos efeitos das alterações climáticas nas zonas áridas, bem como para optimizar estratégias de gestão e restauro destas áreas.

 

Palavras-chave

Alterações climáticas, ecologia de zonas áridas, diversidade funcional, restauro

 

Autora

Alice Nunes

cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Campo Grande, Bloco C2, 1749-016 Lisboa, Portugal

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