A tragédia da biosfera

"Está muito claro que o nosso futuro comum depende do modo como a sociedade interioriza este problema de redução das emissões como sendo de todos.

Em Dezembro de 1968, num trabalho editado na revista Science, o ecólogo Garret Hardin afirmou que o livre acesso de um recurso pelo povo leva à ruína do planeta. Esta metáfora, intitulada “Tragédia dos Comuns”, simboliza o relacionamento estrutural dos indivíduos que colectivamente desperdiçam um recurso ao subutilizá-lo. A sociedade usa e explora os recursos em seu benefício, como se o planeta fosse infinito. Este polémico ensaio de Hardin vem a propósito dos consecutivos alertas sobre os riscos que a Humanidade corre perante o cenário do aumento de temperatura acima de um limiar, fixado em 2°C. A última cimeira do clima em Katowice, Polónia, foi pródiga em nomear ameaças que as alterações climáticas produzem na biosfera e terminou com um “livro de regras comuns”, em que os países se comprometeram a reduzir a emissão de Gases com Efeito de Estufa (GEE). Esperemos que este comprometimento seja mais eficaz do que a assinatura do Acordo de Paris em 2015. Infelizmente, estas boas intenções não têm resultado já que, ao contrário do que era suposto, a quantidade de emissões aumentou nos últimos anos. No entanto, uma grande diferença entre a parábola de Hardin e a redução das emissões é o facto de este ser um problema climático global em que os indivíduos são as diferentes nações. Está muito claro que o nosso futuro comum depende do modo como a sociedade interioriza este problema de redução das emissões como sendo de todos, o que implica acções colectivas e envolvimento dos países a nível mundial.

Os desafios da Ecologia - a opinião de Maria Amélia Martins-Loução, Presidente da SPECO

"Por mais tecnologia que se desenvolva, devemos ter a humildade para reconhecer a incapacidade de resolver os problemas ambientais imediatos.

Em 2019, celebra-se o centenário da morte de Ernst Haeckel, biólogo alemão que definiu Ecologia como sendo o estudo dos seres vivos em interacção com o meio ambiente. E se antes existia uma visão muito naturalista da ecologia, ao pensar-se no Homem como parte integrante do ecossistema Terra, a definição tornou-se mais ampla e controversa: que seres vivos, que meio ambiente? Actualmente, ecologia é uma ciência integradora, que providencia dados e conhecimentos necessários para fazer face aos desafios dos objectivos sustentáveis das Nações Unidas. As equipas, interdisciplinares, são naturalmente compostas por biólogos, sociólogos, geoquímicos, físicos, matemáticos, geógrafos, antropólogos, que interpretam resultados complexos e aportam soluções práticas com base em conhecimento científico. Os ecólogos debruçam-se sobre a complexidade dos ecossistemas e por isso podem dar indicações correctas perante os desafios económicos e os problemas de saúde pública ligada ao ambiente. Mas, para que a sua mensagem chegue ao poder político e à sociedade, terão de aceitar o desafio de explicar de forma simples, mas clara, que a solução para muitos dos problemas da humanidade está no desrespeito da sociedade para com as leis da natureza.

Como é que o montado pode lutar contra as alterações climáticas?

"Uma das imagens de marca do Alentejo é o montado, muitas vezes, adornado por sombras majestosas de sobreiros ou azinheiras. Mas esta paisagem pode ser afectada pelas alterações climáticas. Afinal, o montado é um ecossistema que domina nas zonas semiáridas, onde a água disponível para as plantas já é limitada, o que torna estas áreas vulneráveis à desertificação. Portanto, Alice Nunes – do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Universidade de Lisboa – quis perceber o que estava a acontecer no montado e observou as funções desempenhadas pelas plantas. É com elas que pretende declarar guerra às alterações climáticas."

As duas faces do azoto

 

Sabia que respiramos 78% de azoto? No entanto, não o sentimos nem utilizamos. Só algumas bactérias o podem converter em formas químicas, disponíveis para as plantas, que depois transferem para os animais, sob a forma proteica. Durante milhares de anos a agricultura esteve dependente de bactérias presentes no solo. Há um século, o processo Haber-Bosch, de produção industrial de fertilizantes, foi o rastilho da chamada revolução verde que assegura, hoje em dia, a sobrevivência de metade da população humana. Apesar dos inúmeros benefícios do azoto (ou nitrogénio) para a segurança alimentar, a utilização dos fertilizantes e a queima dos combustíveis fósseis liberta formas reactivas de azoto. A resposta dos ecossistemas a este excesso de azoto é um processo complexo, mas de custo elevado, para o ambiente e saúde pública.

“Temos de abraçar o conceito de desperdício zero” – a entrevista a Charles Moore, o pai da investigação em lixo marinho

 

 

A SPECO aproveitou a deslocação de Charles Moore a Portugal para falar com o pai da investigação em lixo marinho no Pacífico. O convite foi endereçado por Paula Sobral, Presidente da Associação Portuguesa de Lixo Marinho, docente da FCT-UNL e investigadora do MARE.

Depois de encher um auditório na FCT-UNL, visitou a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que o recebeu da melhor forma: mais de uma centena de pessoas à espera de o conhecer e ouvir. Foram precisas duas sessões para que todos tivessem o prazer de conhecer a mensagem e visão do fundador do Instituto de Investigação Marinha Algalita.

A natureza será cada vez mais a riqueza dos países

"O compromisso pelo desenvolvimento sustentável é um dos maiores desafios que se coloca ao mundo e também a Portugal", por Helena Freitas, antiga Presidente da SPECO.

Cristina Máguas eleita Presidente da Federação Europeia de Ecologia

 

Cristina Máguas foi eleita, por unanimidade, para o cargo de Presidente da Federação Europeia de Ecologia (EEF). A eleição ocorreu a 30 de Outubro, em Bucareste, por ocasião da reunião do Conselho da EEF. O mandato terá início a 1 de Janeiro de 2019 e irá prolongar-se até 2022.

Investigadores de cetáceos, aves e líquenes ganham Prémio de Ecologia

Paula Matos, Luis Silva e Marc Fernandez foram os galardoados com o Prémio de Doutoramento em Ecologia 2018 – Fundação Amadeu Dias, organizado pela SPECO – Sociedade Portuguesa de Ecologia, foi revelado na semana passada.

No seu segundo ano, estes prémios pretendem “valorizar o trabalho desenvolvido por recém-doutorados ao longo do seu programa doutoral” na área da Ecologia, explicam os organizadores.