Georgina Mace (1953 - 2020)

Georgina Mace (1953 - 2020)

georgina mace

 

É com grande consternação que a SPECO recebeu a notícia do falecimento de Georgina Mace. Ecóloga inglesa, Professora de Biodiversidade e Ecossistemas do University College de Londres, foi a primeira investigadora a receber o prémio Haeckel 2011 conferido pela Federação Europeia de Ecologia (EEF). Este prémio, destinado a ecólogos com um curriculum científico de elevado destaque, realça bem o valor e o reconhecimento internacional desta investigadora.


Foi uma das convidadas pela SPECO e EEF a estar presente na XV Reunião Internacional da EEF, organizada em 2019 em Lisboa mas, infelizmente, à ultima da hora não lhe foi possível comparecer.
Georgina Mace foi sempre uma voz activa das consequências da perda de diversidade biológica e das alterações dos ecossistemas. A sua investigação em ecologia populacional e ecologia evolutiva de pequenos mamíferos permitiu-lhe desenvolver investigação sobre a viabilidade de populações em jardins zoológicos.

Em 2000, como Directora de Ciência no Instituto Zoológico em Londres, definiu, pela primeira vez, os critérios instrumentais que estão na base de todas as listas Vermelhas da IUCN. De 2002 a 2005 empenhou-se totalmente nas secções de biodiversidade do Millenium Ecosystem Assessment e já em 2018 foi indicada como membro do Comité de Adaptação das Alterações Climáticas, funcionando como consultora do governo britânico para o desenvolvimento de políticas de minimização dos impactos causados pelas mudanças de clima.

Presidente da Sociedade Britânica de Ecologia, Presidente da Sociedade de Conservação Biológica, membro do Comité Científico do Diversitas, foi agraciada com inúmeras distinções para além do Prémio Haeckel em 2011. O seu trabalho, dedicado ao desenvolvimento de ferramentas que evitassem a perda de diversidade e alteração da paisagem e minimizassem os impactos do Homem no clima, foi distinguido em diferentes ocasiões e por diferentes Instituições que nela reconheceram o valor e a determinação com que apresentava e debatia os seus pontos de vista. Entre as diferentes distinções, foi indicada (1998) como Oficial da Ordem do Império Britânico (OBE), Membro da Sociedade Real (2002), Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE) (2007), Doutoramento Honoris causa pela Universidade de Sussex (2007), Dama da Ordem do Império Britânico (DBE) (2016), Honra de Ano Novo (2016). Para além destas distinções foi também agraciada com o Prémio Internacional Cosmos (2007), o Prémio Dr. A.H. Heineken para as Ciências Ambientais (2016), a Medalha de Lineu da Sociedade Lineana (2016), a Medalha de Presidente da Sociedade Britânica de Ecologia (2018) e a da Prémio Fronteiras do Conhecimento da Fundação BBVA na categoria de Ecologia e Biologia da Conservação (2018).

Uma vida dedicada à investigação e causas ecológicas, Georgina Mace deixa um exemplo de construção e luta por aquilo que acreditava: o conhecimento científico sobre ecologia e conservação biológica como meta a perseguir para manter a assertividade nos avisos a dar sobre os problemas que enfrentamos e podemos vir a enfrentar se não desenvolvermos estratégias para evitar a perda contínua de diversidade biológica.