Poluição luminosa no meio ambiente

Poluição luminosa no meio ambiente

Portugal é o pior país da Europa no que toca à poluição luminosa

A noite traz a escuridão. Na ausência de luz solar, e apenas com a luz das estrelas, parte da fauna e flora que compõem os ecossistemas aparece. O "escuro" é fundamental para o funcionamento dos ecossistemas.
Diversas espécies nocturnas dependem da escuridão para caçar, se alimentar, se proteger, se guiar, etc. E mesmo as espécies diurnas dependem da escuridão para, por exemplo, regulação do seu ciclo circadiano. 

Contudo, o uso exagerado de luz artificial está a alterar muita da actividade faunística e a afectar os ecossistemas. Célebre é o exemplo de espécies das crias de tartarugas marinhas, que quando eclodem do seu ovo se orientam pela ténue luz lunar que reflecte da água do oceano, para onde se devem dirigir. Com a presença de luz artificial em praias e zonas urbanas perto do mar, estas crias desorientam-se e seguem o caminho contrário ao que deveriam percorrer, ficando em risco, quer seja por atropelamento, exaustão ou por serem predadas.[1]

O impacto da luz artificial à noite encontra-se bem documentado em diversas espécies animais e vegetais. Porém, dados resultantes de observação por satélite e in situ mostram que a emissão de luz artificial à noite por habitante em Portugal é superior à de países europeus com maior PIB, e revelam também já não existir nenhum local no continente do país isento de poluição luminosa, colocando regiões de interesse ecológico em risco pelos níveis presentes e crescentes de luz artificial no exterior.[2]

Usando a situação na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, Raul Cerveira Lima expõe (no vídeo que disponibilizamos abaixo) a problemática da poluição luminosa e propõe acções para o restauro da noite em Portugal e na Galiza.

Carta aberta para Restaurar a Noite - Reduzir a poluição luminosa em Portugal

Estando Portugal no topo dos piores países no que toca a poluição luminosa, em grande parte, devido à ausência de regulação, aplicação da legislação e inclusão do conhecimento científico nos documentos técnicos de iluminação pública, urge tomar medidas sérias e práticas para reverter esta tendência. Além de todas estas falhas governativas, uma transição para a iluminação LED deixa os cientista ainda mais preocupados com os impactos na biodiversidade e na saúde humana. Para "restaurar a noite" cerca de 25 cientistas, jornalistas, arquitectos, entre outros, assinaram uma carta aberta que pede ao governo, a pronta aplicação da Resolução da Assembleia da República n.º 193/2019, bem como o progressivo decréscimo até 2030 para os níveis de iluminação utilizados na Alemanha.
Pode lê-la AQUI, no Público.