Ana Luísa Barros entre as vencedoras dos Projectos ECR AEET-SIBECOL

Ana Luísa Barros entre as vencedoras dos Projectos ECR AEET-SIBECOL

A SPECO entrevistou Ana Luísa Barros, vencedora de um dos prémios oferecidos pela SIBECOL para investigadores em início de carreira. Com esta entervista a SPECO convida os jovens investigadores a se associarem à SPECO para que consigam ter a oportunidade de concorrer aos prémios oferecidos pela Sociedade Ibérica de Ecologia de forma a terem mais oportunidades de catapultarem a sua carreira de investigação em Ecologia.

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Ana Luísa Barros ganhou um dos prémios oferecidos pela SIBECOL para investigadores em início de carreira, na categoria "Tomando a Iniciativa". O que a fez decidir candidatar-se a este prémio?

Eu comecei o meu doutoramento no início de 2020 e tenho uma bolsa FCT. No entanto, o meu projeto de tese não é financiado, o que me tem levado a procurar diversas fontes de financiamento. Por outro lado, queria explorar uma outra vertente do meu projeto que dependia de materiais de laboratório caros, e só vou ser capaz de seguir essa linha de investigação com este financiamento.

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Qual foi o projecto apresentado que permitiu esta classificação? Pode falar-nos um pouco dele?

A minha candidatura teve por base o meu projeto de tese, e intitula-se “Coexistence of mesocarnivore species in High Nature Value farmlands: a tale of space, time, and food resources”. O objectivo é compreender como as espécies de mamíferos carnívoros coexistem em paisagens agro-florestais, como o Montado, e de que forma a gestão florestal influencia essas interações interespecíficas. Ora, o Montado é uma paisagem criada e gerida pelo Homem, no entanto, aqui encontramos uma enorme biodiversidade, o que significa que uma gestão sustentável deve ter em mente os valores económicos, sociais e ecológicos. Apesar de conhecermos bastante bem como é que estas espécies de carnívoros usam a paisagem e respondem às pressões humanas, pouco sabemos sobre como elas são capazes de coexistir e os mecanismos de interação. Nesta rica comunidade de mamíferos carnívoros, onde o potencial para competição é elevado, perceber que mecanismos permitem a coexistência e como a gestão pode influenciar esse equilíbrio é importante para assegurar os valores ecológicos nestas paisagens.

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A categoria “Tomando a Iniciativa” é destinada a pre-docs, isto é, a estudantes de doutoramento que ainda não tenham defendido a sua tese. Como pode a subvenção recebida impulsionar o seu trabalho de doutoramento?

Bem, por um lado, este financiamento vai permitir cobrir algumas das despesas relacionadas com trabalho de campo. Só para terem noção, eu tenho duas áreas de estudo no Sul de Portugal, e em cada local estão instaladas mais de 50 câmaras de foto-armadilhagem, que fazem um registo fotográfico constante destas espécies de carnívoros. Por isso, as deslocações para instalação e manutenção deste material são essenciais. Por outro lado, neste projeto tentei complementar os objetivos da minha tese, em que vou olhar para as dimensões de utilização do espaço e dos períodos de atividade das espécies ao longo do dia para compreender como coexistem. No entanto, há uma outra dimensão importante de investigar: a utilização dos recursos alimentares. Por isso, neste projeto propus analisar a dieta destes carnívoros, processando os seus dejetos para identificar os diferentes componentes da dieta. Para identificar os carnívoros através dos dejetos preciso de recorrer à genética, o que me vai levar de novo ao laboratório passados tantos anos. O facto de conseguir complementar os meus objetivos iniciais com a análise da dieta, vai contribuir para uma imagem mais completa da estrutura destas comunidades de mamíferos carnívoros. Por outro lado, há muito tempo que queria aprender estas técnicas laboratoriais e agora vou ter essa oportunidade. Este financiamento deu-me não só a oportunidade de enriquecer a minha tese, como também as minhas competências. 

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A candidatura é um processo complexo?

Nem por isso. Claro que envolve algum tempo e dedicação, mas a verdade é que vale sempre a pena tentar. E neste caso a candidatura foi bastante simples o que facilitou todo o processo.

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Que mensagem deixaria a jovens post doc para que não deixem passar a oportunidade de concorrer a este tipo de concurso.

Acho que a mensagem é a mesma: vale sempre a pena tentar. Eu percebo que nem sempre é fácil. Enquanto investigadores estamos sempre à procura do próximo financiamento que permita continuarmos a fazer o que tanto gostamos. Mas realmente o processo neste caso foi bastante simples, e permitiu-me ir um pouco para além dos meus objetivos e ganhar competências novas. A categoria a que me candidatei era destinada a pre-docs, mas havia outras categorias cujo financiamento pode cobrir aquela linha de investigação que queriam explorar, mas não tinham como.

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A SPECO lança, anualmente, o Prémio de Doutoramento em Ecologia Fundação Amadeu Dias, que premeia recém doutorados em Ecologia. Pensa candidatar-se quando defender a sua tese? Tenho a certeza que o Juri gostaria muito de ver a sua candidatura.

Hum, acho que é certamente uma hipótese. Como disse, estamos sempre à procura do próximo financiamento. E realmente há ainda muito que gostaria de investigar, espécies com as quais quero trabalhar e ainda não tive a oportunidade. Veremos o que o futuro reserva!