cartaz PDE 2021

Prémio de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias Vencedores da Edição 2021

Já são conhecidos os vencedores da edição 2021 do Prémio de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias, organizado pela SPECO - Sociedade Portuguesa de Ecologia. A utilização de uma ferramenta molecular baseada no código de barras de DNA para a identificação de espécies de morcegos úteis no controlo de pragas florestais, foi o primeiro trabalho premiado. O segundo, desvendou as características de um predador de topo da cadeia alimentar, o peixe lua, espécie icónica que contribui para o equilíbrio do ecossistema oceânico. A modelação ambiental quantitativa para avaliar processos físicos e biológicos que influenciam os serviços de ecossistema de diferentes usos de solo agrícola, mereceu o terceiro prémio

Vanessa Mata, investigadora no CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos) da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Miguel Baptista investigador no MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Tiago Morais, investigador no MARETEC (Centro de Investigação Marinha, Ambiente e Tecnologia) do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, foram seleccionados como primeiro, segundo e terceiros classificados, respectivamente, pelo júri convidado a avaliar as candidaturas ao Prémio de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias.          

Vanessa Mata

Vanessa Mata desenvolveu uma ferramenta de “”metabarcoding no estudo das interacções entre espécies. O “metabarcoding” funciona como um código de barras de DNA (ou RNA) que permite a identificação simultânea de muitas espécies dentro da mesma amostra. A vantagem de usar uma ferramenta do tipo “metabarcoding” é usar DNA (ou RNA) de vários organismos diferentes provenientes de uma amostra global. Com a utilização desta ferramenta molecular, Vanessa Mata conseguiu detectar variações subtis, intra- e inter-específicas, na dieta de morcegos, que lhe permitiu a descrição da primeira rede de interacções predador-presa entre morcegos e pragas agroflorestais. A utilização desta ferramenta científica tem elevada relevância do ponto de vista aplicado ao permitir identificar espécies de morcegos cuja presença pode ser favorecida para intensificar o controlo de pragas. Do ponto de vista da biodiversidade, chama a atenção para a importância de conservar comunidades diversas de vertebrados em paisagens multifuncionais.           

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Miguel Baptista

 Miguel Baptista, debruçou a sua investigação sobre o peixe-lua (Mola mola), o que lhe permitiu o delineamento de medidas de conservação mais objectivas e necessárias tendo em vista o declínio generalizado desse peixe icônico. Por falta de interesse académico, informação credível sobre a biologia e ecologia desta espécie é escassa, pelo que este trabalho veio preencher uma lacuna no que se refere à utilização espacial, crescimento e composição. O peixe-lua é um peixe predador de grande porte presentemente ameaçado e classificado como “vulnerável”, de acordo com os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) uma vez que se estima um declínio global de 10% por década. Este trabalho permitiu mostrar que a temperatura da superfície do mar e a concentração de clorofila a (como “proxy” para a produtividade), são factores ambientais que predizem o seu espaço de utilização. Comparando populações das águas do Atlântico Norte com outras do Pacífico Norte verificou que há diferenças em termos de relação peso/comprimento e que a sua composição elementar varia consoante a estação do ano e o tipo de músculo em observação. Estes dados permitem uma melhor compreensão de um predador de topo da cadeia alimentar do oceano que funciona como regulador de organismos gelatinosos, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas no oceano.

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Tiago Morais

Tiago Morais, engenheiro do ambiente, produziu modelos que utilizam dados de deteção remota e tratamentos estatísticos para melhorar a caracterização de sistemas de pastagens, nomeadamente ligadas ao ciclo do carbono e do azoto. A nível global, aplicou um modelo análogo à produção mundial de alimentos para avaliar as emissões de gases com efeito de estufa tendo em conta as múltiplas dietas e sistemas de produção. Utilizou ainda o carbono orgânico no solo, como indicador de biodiversidade e dos serviços de ecossistema. Os estudos elaborados demonstram como a modelação ambiental quantitativa pode ser utilizada e melhorada para a caracterização ecológica de diferentes usos do solo.

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Os três primeiros classificados irão receber o prémio e apresentar o seu trabalho no 20º Encontro Nacional de Ecologia que, este ano, irá decorrer de 2 a 4 de Dezembro na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Os prémios, no valor de 3000, 2000 e 1000 euros, são atribuídos, respectivamente, ao primeiro, segundo e terceiro classificados. Os três candidatos terão ainda um bónus de 2 anos com quotas pagas.

O prémio recebeu 20 candidaturas elegíveis, de doutorados com teses defendidas nas Universidades de Aveiro, Coimbra, Évora, Lisboa, Nova de Lisboa, Porto e Trás-os Montes e Alto Douro.

Constituição do júri:

  • Professora Maria Amélia Martins-Loução, presidente da SPECO (Sociedade Portuguesa de Ecologia),
  • Professor Ricardo Melo, professor auxiliar da Universidade de Lisboa e coordenador do pólo de Lisboa do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente),
  • Professora Margarida Reis, professora associada com agregação da Universidade de Lisboa e investigadora do cE3c (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Climáticas),
  • Professora Helena Freitas, professora catedrática da Universidade de Coimbra e coordenadora do CFE (Centro de Ecologia Funcional),
  • Professora Myriam Lopes, professora auxiliar da Universidade de Aveiro, e vice-coordenadora do CESAM (Centro de Estudos Ambientais e Marinhos),
  • Doutor Joaquin Hortal, investigador colaborador do cE3c, do Museu Nacional de Ciencias Naturales (CSIC) Madrid,
  • Doutor João Gonçalves, administrador da Fundação Amadeu Dias.