Conservation Culturomics: Uma abordagem inovadora às interações Humano-Natureza

Conservation Culturomics: Uma abordagem inovadora às interações Humano-Natureza

24 de Fevereiro | 18 horas | Em directo no canal YouTube da SPECO | Participação livre

Em 2016, um conjunto de cientistas (entre os quais Richard Ladle e Ricardo Correia) publicava um artigo intitulado “Conservation culturomics” na revista Frontiers in Ecology and the Environment. Nascia assim a definição deste conceito e afirmava-se a sua importância para o estudo das interações Humano-Natureza no século XXI.

A designação Culturomics nasce do léxico computacional e define o estudo do comportamento humano e das suas tendências culturais através da análise quantitativa do conteúdo de textos, imagens, vídeos, entre outros formatos de comunicação. A união entre a culturomics e a conservação depreende a aplicação de ferramentas do domínio digital para o estudo interacções entre o ser humano e a Natureza nos progressivamente dominantes canais virtuais. Desta forma, olha-se para a informação partilhada pelo público nas várias plataformas disponíveis (em quantidade e frequência notáveis) como origem do estudo da sua opinião, interesse, valor e conhecimento no que toca à Natureza e à conservação. Com estes dados é, por exemplo, possível analisar padrões e tendências de reconhecimento e movimento colectivo em prol da conservação; identificar episódios e mensagens que tenham despoletado reacções e atitudes com particular destaque; avaliar o impacto cultural de projectos e medidas de conservação; analisar níveis de compreensão sobre situações específicas e medir o impacto de campanhas e outras iniciativas de comunicação; entre outras possibilidades. A conservation culturomics procura perceber o que mundo digital (humano) revela sobre o mundo natural e como esta relação pode ajudar a moldar o futuro.

Junte-se a nós no dia 24 de fevereiro (quinta-feira) às 18h00, no canal YouTube da SPECO para a terceira mesa-redonda da DivECO. Sob o título “Conservation culturomics: uma abordagem inovadora às interações Humano-Natureza”, a mesa-redonda será moderada por Rúben Oliveira, membro da Direcção da SPECO e coordenador da Rede, e contará com a presença de:    

  • Ana Sofia Vaz | Bióloga doutorada pelas Universidades do Porto e Lisboa. É investigadora no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), dedicada à avaliação e monitorização da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas recorrendo a dados digitais e ferramentas de inteligência artificial. A sua investigação científica e interesse profissional recente tem vindo a centrar-se na procura de metodologias de avaliação e monitorização da biodiversidade, capital natural e serviços dos ecossistemas e suas alterações à luz de fatores de mudança sócio-ecológica, com particular foco sobre os efeitos e determinantes provocados pelas invasões biológicas. Recorrendo a perspectivas sociais e ferramentas de detecção remota, atualmente, a sua investigação passa também pela área da conservação digital, e pela forma como a internet e plataformas associáveis (tais como redes sociais) podem apoiar no mapeamento, monitorização e gestão de desafios de alteração ambiental.
  • Ricardo Correia | Investigador no Departamento de Geociências e Geografia da Universidade de Helsínquia, Finlândia. Desenvolve investigação em vários tópicos na área da conservação da biodiversidade. Mais recentemente, a sua investigação tem-se concentrado em avaliar a forma como as novas tecnologias podem contribuir para a conservação da biodiversidade. A sua investigação foca-se em entender de que forma dados provenientes de novas plataformas digitais (redes sociais, motores de busca, etc.) e métodos analíticos (machine learning, natural language processing) podem ser utilizados para gerar novas perspetivas sobre a relação entre o ser-humano e a natureza que possam informar ação e política de conservação. Nesse contexto, foi um dos investigadores pioneiros em “conservation culturomics” e ajudou a fundar o Conservation Culturomics Working Group junto da Sociedade para a Biologia da Conservação (Society for Conservation Biology - SCB).
  • Richard Ladle | Formado em Zoologia pela Universidade de Newcastle e doutorado em Ecologia Teórica pela Universidade de Oxford (Inglaterra). Com mais de 25 anos de experiência como professor universitário, foi o primeiro Diretor do Mestrado em Biodiversidade, Conservação e Gestão da Universidade de Oxford (2003-2009) e Professor Titular de Ciências da Conservação na Universidade Federal de Alagoas, Brasil (2012-2020), onde coordenada o LACOS 21 - Laboratório de Conservação no Século 21. Atualmente é ERA Research Chair in Tropical Biodiversity and Ecosystems Research (TROPIBIO) no CIBIO-InBIO, Vairão. Autor de mais de 200 artigos científicos, capítulos de livros e livros, seus interesses de pesquisa incluem interações humano-natureza, biogeografia de conservação e o uso de novas tecnologias para melhorar a eficiência e eficácia da conservação da vida selvagem.

 

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