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"A tripla crise planetária ficou na gaveta", por Maria Amélia Martins-Loução

"Quando é que os políticos, gestores e media vêem que a tripla crise planetária - alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição - é crucial para superar os problemas sociais e económicos?"


Maria Amélia Martins-Loução, Presidente da SPECO, escreveu um artigo de opinião no Jornal Público.


"O tema do clima andava na ordem do dia, especialmente depois de todas as evidências plasmadas nas diferentes cimeiras das COP. A transição energética e o combate às alterações climáticas foram as grandes apostas do Governo que justificavam medidas no PRR. Veio a campanha eleitoral e tudo mudou, apesar de não serem ignoradas nas moções estratégicas dos partidos. "Concretizar", "divulgar", "implementar", "modernizar", "melhorar", "actuar" são verbos que caracterizam de forma sistemática diferentes iniciativas, desde a continuação da transição energética à aposta no mar, ou mesmo no plano nacional hídrico.


A ausência de debate no espaço público foi culpa dos candidatos, mas especialmente dos jornalistas. A triple crise planetária, as alterações climáticas, a perda da biodiversidade e a poluição crescente ainda não justificam alarme laranja ou vermelho e manchetes mediáticas: a afluência ao SNS não é maior por isso e a fome e a pobreza, que grassa e aumenta na população, e por falta de dinheiro e não de bens alimentares.


Como Portugal vai actuar, que estratégias políticas vão ser adoptadas, como conciliar a transição energética com a transição ecológica, como salvaguardar os recursos hídricos presentes nas toalhas freáticas, como preservar os nossos ecossistemas perante o apetite insaciável do turismo, a nossa maior aposta económica - são temas de futuro que ficam na gaveta.


Esta discussão, se a houvesses, podia permitir aferir a eficácia de uma política ambiental estratégica. Compreender qual o caminho que Portugal iria trilhar para enfrentar a tripla crise planetária não é tema premente. No entanto, devia ser abordado a escalas e variáveis adequadas, passíveis de serem monitorizadas continuamente, reconhecendo e aferindo a multiplicidade das acções humanas e das suas consequências. Isto pressupunha uma base de entendimento entre ecólogos, engenheiros, decisores políticos e gestores, que não existe. Actualmente, a opinião e conhecimento dos ecólogos, com visão científica e transversal sobre as respostas e previsões dos ecossistemas, é ainda raramente tida em conta." Ler mais.



Saudações ecológicas.

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