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Prémio de Doutoramento em Ecologia 2026 - Comunicado de Imprensa

  • Foto do escritor: SPECO
    SPECO
  • 21 de jul.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 31 de jul.

Já são conhecidos os três vencedores da edição de 2026 do Prémio de Doutoramento em Ecologia, uma iniciativa organizada pela Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO), com o apoio da Fundação Amadeu Dias.


A avaliação multidisciplinar do funcionamento ecológico das florestas Ibéricas de kelp foi o projecto da primeira premiada. A segunda, contribuiu para a priorização da conservação dos ecossistemas de água doce, sub-representados nas redes de Áreas Protegidas Europeias, ao propor novas abordagens metodológicas no planeamento da conservação. O terceiro premiado demonstrou o potencial da combinação de tecnologias avançadas e ferramentas analíticas inovadoras de monitorização in-situ para a conservação da megafauna marinha.



Bianca Reis, investigadora no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), Joana Nogueira, investigadora no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO/InBio), ambas doutoradas pela Universidade do Porto, e Miguel Gandra, investigador no Instituto do Mar (IMAR) e doutorado pela Universidade do Algarve enquanto membro integrado do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), foram os três seleccionados, respectivamente, como primeira, segunda e terceiro classificados pelo júri convidado a avaliar as candidaturas à edição de 2026 do Prémio de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias. Alinhadas com prioridades nacionais e europeias, os trabalhos dos três premiados demonstram a importância da inovação metodológica, da monitorização a longo-prazo e de uma colaboração científica multidisciplinar para a promoção de uma gestão robusta e sustentável dos ecossistemas aquáticos.



O trabalho da primeira classificada teve como objectivo compreender o funcionamento, as vulnerabilidades e o potencial de restauro das florestas ibéricas de kelp face às alterações climáticas. Recorreu a uma abordagem multidisciplinar, que integrou trabalho de campo, experiências laboratoriais e o desenvolvimento de uma ferramenta inovadora de medição in situ da produtividade de ecossistemas marinhos Bianca Reis procurou perceber de que forma o aumento da temperatura dos oceanos, a tropicalização, a redução do afloramento costeiro e o aumento da herbivoria estão a transformar os recifes temperados. Os resultados demonstraram que as florestas de kelp associadas a águas mais frias apresentam maior produtividade primária e maior capacidade de absorção de carbono, desempenhando um papel determinante no ciclo de carbono azul. Revelou ainda que a limitação de nutrientes poderá comprometer o recrutamento de espécies boreais em cenários climáticos futuros e mostrou que os peixes poderão exercer uma pressão herbívora superior à dos ouriços-do-mar, algo inédito no Atlântico que traz novos desafios à gestão das áreas marinhas protegidas. A tese contribuiu também para optimizar técnicas de restauro através do método green gravel, identificando condições que favorecem o crescimento inicial do kelp.



Joana Nogueira, recorreu a uma abordagem inovadora de Planeamento Sistemático da Conservação. Combinou dados de campo, bases de dados de espécies, técnicas de DNA ambiental e a análise de interações ecológicas entre diferentes grupos taxonómicos, para identificar novas formas de definir prioridades de conservação para os ecossistemas de água doce. Com este planeamento procurou melhorar a conservação deste tipo de ecossistemas, sub-representado nas Áreas Protegidas europeias e apoiar a sua expansão. Os resultados obtidos demonstraram que muitas áreas actualmente consideradas prioritárias podem ter perdido uma parte do seu valor de conservação devido à utilização de dados desatualizados e à falta de uma monitorização regular. O estudo mostrou ainda que a integração de interacções entre espécies, como a relação entre mexilhões de água doce e os peixes de que dependem para completarem o seu ciclo de vida, permite seleccionar áreas com maior representatividade ecológica - o que revela também lacunas na actual Rede Natura 2000. A junção de métodos convencionais com DNA ambiental revelou ser igualmente eficaz na detecção de espécies, incluindo as ameaçadas ou de difícil observação, possuindo um grande potencial para apoiar a sua conservação em regiões com menor capacidade de monitorização.



Miguel Gandra, o terceiro classificado, tentou compreender como é que a megafauna marinha utiliza o oceano e de que forma esta informação pode ser útil na conservação destas espécies. Recorreu a uma abordagem multidisciplinar com tecnologias avançadas de biotelemetria e biologging com ferramentas analíticas inovadoras, tais como modelos estatísticos e algoritmos de aprendizagem automática, o investigador analisou os movimentos, o comportamento, a utilização do habitat de quatro espécies com elevado interesse económico: a corvina (Argyrosomus regius), dois tubarões de profundidade (Dalatias licha e Hexanchus griseus), e o tubarão-baleia (Rhincodon typus). Com base em mais de duas décadas de dados recolhidos na Península Ibérica e nos Açores, a investigação identificou corredores migratórios, áreas críticas de agregação e padrões de fidelidade ao habitat anteriormente desconhecidos. Estes dados revelaram comportamentos de alimentação e movimentos verticais, com implicações directas para a gestão e conservação destas espécies. A tese incluiu ainda o desenvolvimento de um pacote de código aberto para análise de dados de telemetria acústica, facilitando a utilização destas tecnologias pela comunidade científica.


Os prémios atribuídos, no valor de 3000, 2000 e 1000 euros, serão atribuídos, respectivamente, ao primeiro, segundo e terceiro classificados. Os três candidatos terão ainda um bónus de 1 ano com quotas pagas.


O prémio recebeu 11 candidaturas elegíveis, de doutorados com teses defendidas nas Universidades dos Açores, Algarve, Évora, Lisboa e Porto.


Constituição do júri:

  • Professora Maria Amélia Martins-Loução, presidente da SPECO (Sociedade Portuguesa de Ecologia),

  • Doutor João Gonçalves, administrador da Fundação Amadeu Dias,

  • Doutor Joaquin Hortal, investigador colaborador do cE3c, do Museu Nacional de Ciencias Naturales (CSIC),

  • Doutor Jorge Gonçalves, professor convidado da Universidade do Algarve, investigador sénior e membro da direcção do CCMAR (Centro de Ciências do Mar),

  • Professora Helena Freitas, professora catedrática da Universidade de Coimbra e coordenadora do CFE (Centro de Ecologia Funcional),

  • Professora Myriam Lopes, professora associada da Universidade de Aveiro, e investigadora no CESAM (Centro de Estudos Ambientais e Marinhos),

  • Professor Ricardo Melo, professor associado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigador no MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente).


Contacto: SPECO - info@speco.pt

Maria Amélia Martins-Loução - maloucao@ciencias.ulisboa.pt



Saudações ecológicas.

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