Premiados do Projecto Novos Talentos em Ecologia - Charles Buchanan
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Neste dia do Ambiente, a SPECO tem o prazer de comunicar os premiados seleccionados ao concurso Novos Talentos em Ecologia - Charles Buchanan. Os trabalhos propostos vão possibilitar o avanço do conhecimento nas estratégias de gestão de florestas, desde o início da plantação às fases mais maduras da paisagem Florestal.

Andreia Sofia Gonçalves dos Anjos, investigadora no cE3c (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Ana Paula Senra Portela, investigadora no mesmo centro de investigação, foram as duas doutoradas seleccionadas pelo júri convidado a avaliar as candidaturas ao Projecto Novos Talentos em Ecologia - Charles Buchanan. Andreia Anjos submeteu um trabalho de investigação básica sobre os mecanismos subjacentes à resposta combinada à seca e competição inter- e intra-específica, usando árvores pequenas em condições laboratoriais. Tem como inovação estabelecer esta ligação experimental: associar a competição inter- e intra-específica, ao stress hídrico e à respectiva dinâmica de recuperação. Os resultados serão particularmente relevantes para prever as respostas da vegetação às alterações climáticas nas regiões mediterrânicas, onde se prevê que a escassez de água se intensifique. Por outro lado, integra uma investigação multi-nível e multi-facetada sobre a resposta ao stress hídrico, ao usar medições ecofisiológicas associadas à caracterização anatómica das folhas e raízes. Embora os efeitos da seca tenham sido amplamente estudados, o papel da densidade da competição e das combinações de espécies na definição das respostas à seca ainda é pouco compreendido. Ao utilizar duas espécies pirófitas, o eucalipto e o pinheiro-bravo, os resultados adquiridos poderão possibilitar o desenvolvimento de estratégias de gestão florestal e de recuperação de propriedades florestais, onde estas espécies são exploradas para produção de biomassa.
A proposta de Ana Paula Portela pretende compreender a capacidade de resiliência das florestas à falta de água prolongada, com vista ao desenvolvimento de propostas de mitigação e restauro ecológico. Os padrões espaciais das respostas, ou seja, onde e por que razão as florestas mostram sinais de perda de resiliência ou respostas do tipo aclimatação, continuam a ser difíceis de prever. Os gradientes topográficos da disponibilidade de água na paisagem e a diversidade florestal, isto é, a diversidade de espécies, funcional e estrutural, podem contribuir para uma variabilidade significativa nas respostas das florestas à seca. O principal objetivo do projeto é investigar a resiliência a longo prazo dos ecossistemas florestais, face ao agravamento da seca ao longo de gradientes paisagísticos de disponibilidade hídrica e avaliar se as florestas com lençóis freáticos mais elevados, como as florestas ribeirinhas, e as florestas com maior diversidade estrutural, mais resilientes à seca. Esta abordagem será realizada a partir de dados recolhidos ao longo de 10 anos pelo satélite Sentinel-2 e a utilização do LiDAR, recentemente disponibilizado para Portugal continental. Estas duas abordagens permitirão analisar as tendências de resiliência ao longo de grandes gradientes climáticos, identificar os factores que influenciam a resiliência em diferentes escalas e a diversidade estrutural da floresta. Os dados recolhidos poderão orientar iniciativas de conservação, de restauro e de soluções climáticas de base natural para melhorar a resiliência da floresta face ao agravamento das secas.
As duas candidaturas irão receber um valor de 2.000 euros para executarem os seus projectos ao longo de dois anos. Esta iniciativa, que visa facilitar a integração dos jovens, promover o contacto dos talentos nacionais com a realidade do mercado de trabalho e criar as condições para o seu papel transformador, recebeu 4 candidaturas, duas da Universidade de Lisboa, uma da Universidade de Aveiro e outra da Universidade do Porto.
Leia a nota de imprensa:
Saudações ecológicas.




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