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Prémio de Doutoramento em Ecologia 2023 - Carlos Vila-Viçosa, 2º Classificado


Carlos Vila-Viçosa debruçou-se sobre um dos géneros mais diversos e importantes que dominam as florestas do Hemisfério Norte, o género Quercus, ou carvalhos, como são vulgarmente denominados. Em particular, estudou as espécies de carvalhos caduco-marcescentes da Península Ibérica, a sua capacidade de hibridação, aumentando o conhecimento sobre a diversidade de espécies. A inovação deste trabalho holístico de ecologia abrangeu o estudo taxonómico, evolutivo, biogeográfico e molecular deste género o que permitiu desvendar a filogenia dos carvalhos e a dinâmica de distribuição das espécies, tanto no passado como no futuro. Os resultados evidenciaram a Península Ibérica como um hotspot para a diversidade do género, identificaram novas espécies de Quercus, permitiram melhorar o conhecimento sobre as respostas destas plantas arbóreas a mudanças nos regimes climáticos e a antecipar estratégias de conservação destas espécies e das suas florestas.


À conversa com este investigador a SPECO tentou saber um pouco mais sobre a motivação que o levou a assumir este desafio, os problemas e oportunidades que viveu, e que repercussões poderá ter este prémio alcançado.


1. O que esteve na base do desenvolvimento deste trabalho de doutoramento ?

Este trabalho inciou-se há muitos anos, no estudo sobre a flora e vegetação da Serra de Monchique e serras siliciosas do Sudoeste Português. O confronto com a floresta relíquia de carvalho-de-monchique levou-me aos problemas taxónomicos relacionados com a hibridação com o carvalho-cerquinho, e à descoberta de um carvalho-alvarinho (Q. robur s.l.) no mesmo âmbito biogeográfico.

2. Ao longo do trabalho qual foi a sua maior alegria?

Ver a fusão e a importância do conhecimento em ecologia para compreender a evolução no género Quercus e como este pode servir de modelo para compreender a especiação em plantas.

3. Que desafios teve de enfrentar e que motivações arranjou para superar os seus problemas?

O confronto com a bioinformática (ecoinformática e bioinformática molecular) foram o maior desafio para um botânico de campo, mas o entusiasmo ao ver o comportamento das espécies nos exercícios de modelação, tanto de hindcast como forecast, depois comparados com as análises filogenéticas alimentaram o sentido holístico da tese, que combina a historia natural, com modelação ecológica dos modelos estudados em taxonomia e depois a análise molecular que complementa os anteriores.

4. O que ficou por explorar?

Ampliar o território naturalmente ao Norte de África, aos carvalhos de folha perene e alargar esse mesmo estudo à bacia do Mediterrâneo, agora que tenho uma "bird-eye-view" mais ampla resultante do conhecimento taxonómico que adquiri nas exaustivas revisões de herbário e literatura clássica. 5. Quais serão os próximos passos da sua carreira?

Justamente ampliar a área de estudo e focar grupos taxonómicos que ficaram por resolver, bem como hot-spots filogeográficos, respondendo também a perguntas de genómica populacional e ajudar a compreender o género Quercus como um todo, na bacia do Mediterrâneo. 6. O que a levou a concorrer a este Prémio?

É sempre estimulante concorrer com o nosso trabalho a prémios que permitam dar reconhecimento aos nossos esforços. No âmbito nacional em ciências ecológicas, o prémio da SPECO é uma referência e reforça a importância da ecologia na compreensão da evolução em plantas como factor determinante para a especiação.


7. Que impacto espera obter com este resultado ?

Dar a conhecer a importância das abordagens multidisciplinares na compreensão dos fenómenos naturais e atrair mais colegas interessados em colaborar na conservação e restauro das nossas florestas.

8. O que gostaria de ver na SPECO que impulsionasse os jovens a seguir investigação em Ecologia?

Mais encontros, e dinamismo na troca de informação sobre o que cada equipa faz e as diferentes valências. Creio que se poderia mesmo criar uma intenção nacional (género de comité), que diagnosticasse lacunas em áreas-alvo ou perguntas permentes para resolver em termos de conservação (ex: áreas biogeográficas muito ricas, grupos de espécies ou comunidades com falta de estudos), estabelecendo assim matrizes de prioridades e criando programas de financiamento (contratos de PhD-Pos-Doc) para "atacar" essas perguntas com orientação de equipas multidisciplinares. 9. Como tenciona contribuir para aumentar a visibilidade da SPECO?

Mostar que é a única entidade em Portugal que valoriza e apoia estudantes e o seu trabalho.

10. Que conselhos gostaria de dar aos jovens estudantes de doutoramento?

Não desistir e acreditar no seu trabalho. Que quando bem apoiado e feito de forma apaixonada e honesta trará retorno, mais cedo ou mais tarde.


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